4 de fevereiro de 2016

Algo grande

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A decepção fez-me escritora. Confiança é uma estrada fácil quando se pega carona em uma primeira viagem. Então depois você precisa voltar pra casa, mas se dá conta de que a carona foi-se embora, a estrada está diferente e você também. Você mudou, tornou-se aquela pessoa que seu eu de 7 anos de idade não gostaria de ter por perto, mas ainda precisa voltar para casa, mesmo com uma estrada irreconhecível pela frente, só você e seus pés.

Meio sorriso se desenha na minha boca. Por que estou sorrindo? Não foi só a decepção que me fez escritora, a solidão, consequência do sentimento, fez-me procurar refúgio em palavras; confie em alguém que não trocou suas fraldas, as chances de você se arrepender serão as mesmas chances que a fralda tinha de vazar.

Dando alguns passos pela casa, evitando me olhar no espelho, eu sentia uma dor muito grande que vinha de todos os lados. Em algum lugar no universo, minha história deve estar sendo desenhada com uma nuvem negra por cima, que é exatamente como eu me sentia. Faz 32ºC lá fora mas eu sinto um frio que exige cobertores, travesseiro e um pouco de cachaça alemã, só pra esquentar a garganta.

Você me deixou doente. Sem dar-me conta havia segurado o choro a manhã inteira, mas então o sol tornou-se ao lado oeste, as cortinas fecharam-se, olhando para as minhas mãos, percebi que estava tremendo. Seria de fome? Dor? Medo? Seja o que for, havia escorrido pelos meus dedos a chance que eu tinha de poder confiar em alguém. Como em um jogo, o grau de dificuldade aumentou, e a estrada de volta para casa estava mais irreconhecível do que nunca.

Sim, talvez eu tenha um coração cuja função não seja apenas bombear o sangue, talvez ele sinta também.

31 de janeiro de 2016

Dilemas universitários

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“Se morar é um direito, ocupar é um dever”. Li essa frase em 2014 em um cartaz, no comecinho do ano ao entrar no Cursinho Diferencial (UNESP – Ilha Solteira). Dezenas de estudantes espalhados pelo pátio, vivendo em barracas pela falta de moradia. Segundo informações vindas dos próprios universitários, eles perderam o direito da moradia oferecida pela universidade aos alunos de baixa renda pelo motivo de nota insuficiente, logo, se quisessem continuar estudando, teriam que arranjar alguma república para morar.

Mas então vem a questão... A moradia é oferecida pela universidade, de graça, sem nenhum custo de aluguel, conta de luz ou água. De repente perdem esse direito e todas essas contas passam a ser um problema caso optem pela opção república/alojamento/etc, logo precisam de um emprego, pois como dito anteriormente, essa moradia é destinada a estudantes de baixa renda, sem condições de bancar república ou semelhantes. Mas então, me diz você, tá fácil achar emprego?

Em 2014 provavelmente, mas como está hoje, em 2016, cuja inflação está na casa dos 10,627% (segundo o site globo-rates)? Estamos vivendo uma situação parecida, mas o ponto principal é: não temos se quer a moradia destinada a alunos de baixa renda, nem o emprego, nem condições, nem transporte. O que fazer em uma situação desse tipo?

Agora são 01:54 da madrugada, cheguei da faculdade há poucos minutos depois de uma viagem diária de aproximadamente 130 km, depois de descobrir que vários colegas perderam o direito do transporte vindo da cidade deles, e ver mais uma vez que outros alunos, de Ilha Solteira, precisam sair às pressas durante a aula para andar quadras e quadras, às 11 da noite a fim de alcançar o ônibus da sua cidade em uma rua escura, não asfaltada, cuja segurança deve ser considerada 0. Imagine esses alunos em dias de chuva!

Alunos do IFMS Três Lagoas, que moram em outras cidades enfrentam grandes obstáculos todos os dias, alguns estão tendo que tomar decisões que não dependem deles mesmos. Se encontrar um emprego, tudo bem, senão, tranque a faculdade. Que tal pra você?

O mais irônico é aquela bolsa do programa bolsa permanência (PBP), que oferece R$150,00 por mês ao aluno, funcionando como um incentivo. “Fique na faculdade. Estamos te ajudando”, ajudando no que???? 150 reais paga uma parte do aluguel? Não. Paga a refeição de um mês? Não. Paga as xerox? Talvez. A situação está tão ruim que eu me sinto tão pobre, desamparada, aflita de ter que deixar a faculdade pública por condições financeiras ruins e incentivos tão baixos, tão insignificantes diante todos os problemas que alunos como meus colegas de Pereira Barreto e Ilha Solteira enfrentam todos os dias para conseguir estudar.

Mas qual seria a solução para isso? Cito e repito: se morar é um direito, ocupar é um dever. Ficar quieto, agir como se tudo não fosse apenas uma consequência, um fato de que para crescer, é preciso sofrer? Sim, mas não dessa maneira. Os universitários, futuros profissionais do amanhã, precisam ser incentivados a estudar, praticar o que é visto em sala de aula, correr atrás de projetos, ter a cabeça livre de questões como moradia e emprego. Diploma qualquer pessoa consegue ter, mas um profissional capacitado, poucos conseguem ser.

18 de janeiro de 2016

Diário de uma universitária

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Universitário é um bicho que precisa ser estudado. Façamos de conta que você, assim como eu, desde sua puberdade até o fim da adolescência, era uma pessoa vaidosa, que se preocupava mais com sua pele e cabelo do que com a escola. De repente, paahhhh... Entramos em uma faculdade. O terror pré-apresentado pelos amigos mais velhos fez efeito, pode vir quente que estou fervendo. Num passe de mágica, a vaidade deixa de ser sua prioridade e passa a ser a última opção nos tempos livres.

Até mesmo a vaidade mais básica como cuidar da higiene, é deixada de lado. Passamos horas na frente do computador, estudando, resolvendo exercícios, e então aquela pontada no estômago vem avisar que é hora de comer. Sim, já se passaram 7 horas desde a última refeição, então você puxa uma banana que está na mesma mesa que o seu notebook, come, deixa a casca ali mesmo ao lado do material e volta seus olhos para a tela, com aquele gostinho de almoço, café e banana na boca. Parece que tem uma camada de restos de comida sob a língua, mas não importa. Dá um gole forte de água gelada, coloca a pastilha de menta na boca e pronto, faz de conta que isso não afeta a saúde bucal nem um pouquinho.

É bom dar uma esticada na coluna também, proporciona uma sensação reconfortante depois de 7 horas sentada mexendo apenas os dedos e é bem rápida. Aquela história de alongamentos, circulação sanguina, bom funcionamento do corpo e da mente parece não ter mais importância. Dane-se toda reportagem que li, todo vídeo de yoga que assisti. De vez em quando a consciência pesa... Pesa sim. Eu poderia fazer um alongamento antes de começar os estudos.

Então vamos, não custa nada, é rapidinho e faz bem. 8h da manhã, começamos com os alongamentos, pisco o olho e já são 9:40. Que?! Sem querer acabei lembrando que tinha que tomar o café da manhã, pendurar as roupas lá fora, lavar louça e encher o filtro. Ai meu Deus, eu ainda preciso fazer o almoço. Não vai dar pra estudar! Nunca mais farei alongamento na minha vida...

Depois de todo serviço feito, sentindo o CC debaixo do braço sem precisar levantar, com o cabelo todo espetado, o avental branco com estampa de andorinhas e um chinelo de cada cor, olho pro relógio e fico aliviada porque ainda falta quatro horas pra 17h. Então deito na cama, cansada, abro o notebook e começo a resolver aquela lista de programação. Caí no sono, olho no relógio e já são 15h. Allah! Bom, pelo menos agora estou mais disposta. Lavo meu rosto, escovo os dentes e digo para mim mesma “agora vai”. E consigo resolver um exercício, mas já são 17h e eu preciso me arrumar para a faculdade, o ônibus saí às 17:45.

Então a maratona começa, arregaço as mangas da blusa, prendo o cabelo e enrolo os brigadeiros para vender na faculdade, vou para o banho e o despertador das 17:30 toca. Você tem 10 minutos para sair de casa. Jogo tudo na mochila, pego as chaves do carro (é um milagre elas não estarem perdidas) e vou para o ponto. O meu caminho leva 5 minutos de carro, se o ônibus não atrasar, ele chega junto comigo. Agora são 1h40min de viagem até chegar na faculdade. São 1h40min pra adiantar todo trabalho da faculdade que ainda não foi finalizado. Mas e amanhã? Amanhã é a mesma coisa.

15 de janeiro de 2016

Look do dia: mais um vestido hippie






E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
E você vai me ensinar as suas verdades
E se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio

De dia, vou me mostrar de longe
De noite, você verá de perto
O certo e o incerto, a gente vai saber

E mesmo assim, queria te contar
Que eu talvez tenho aqui comigo
Eu tenho alguma coisa pra te dar
Tem espaço de sobra no meu coração
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão

Dois - Tiê

Oi pessoal! Essa roupa usei hoje pra sair com a minha irmã. Fomos comer gordura e eu pedi um suquinho natural porque não gosto de refrigerante. Na verdade eu não gosto de beber enquanto como, me sinto pesada (mais do que sou), mas fazia parte do combo, então eu bebi meeeesmo um suquinho saboroso de laranja. Hmmm quero ouvir um viva às frutas, por favor!

E esse vestido então? Eu não sei vocês, mas eu to amando esse estilo que estou adotando, meio hippie, largado, soltinho... As pessoas não ficam olhando pras suas curvas, te desejando, ou pros pneuzinhos, te criticando. Essas roupas são perfeitas se você quiser sentar com a perna aberta ou se você está com o intestino preso, super recomendo! 

Quanto a sandália, eu sou suspeita pra falar que adoro sandálias gladiadoras. Diga o que quiser, critique o quanto quiser, mas eu estou pulando e batendo palmas como uma foca quando vejo que as pessoas voltaram a real e estão usando essas sandálias again

Essa postagem vou terminar do mesmo jeito que uma amiga minha terminava as cartas que me mandava por correio, com muito amor no coração e saudade de vocês (e da minha amiga que me mandava cartas pelo correio). Um beijo! 

12 de janeiro de 2016

Em relação ao tempo

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Equilibrando-me naquela grade do ônibus, esperei ele parar para poder descer. “Até que enfim” suspirei aliviada ao pisar em terra firme. Quem é que precisa de parque de diversões quando um ônibus circular como o daquela cidade é igual a andar de montanha russa, mas sem cinto de segurança?

Com os sentimentos confusos e a cabeça nas nuvens, acabava de chegar ao centro depois de uma pequena premiação pela minha redação. Próxima parada: faculdade. O caminho ainda não era um dos melhores, mas a iluminação sim. Ainda com o fone de ouvido, consegui ouvir um “psiu”. Sabe aqueles psiu que te dão só pra te provocar, enquanto você anda sozinha na rua de noite?

Os cabelos seguiram a mudança brusca de direção que minha cabeça levou, nem tudo é conhecido, mas o desconhecido passa a ser mais interessante quando é sobre você. Cheio de suposições e incógnitas, queria saber onde, com quem e o que eu andava fazendo, não só aquela noite, mas em todas as outras.

Uma mistura de surpresa com decepção foi refletida em sua face. Esticando a mão para me parabenizar, percebi que aquela palma grotesca, a mesma que em um passado não muito distante havia aquecido as minhas, agora estava gelada, pode-se dizer a partir disso que o mundo dá voltas, não é mesmo?

Sem ação, sentindo um pouco de frio por fora e por dentro uma faísca ameaçando fogo. Dando passos longos e rápidos, com a desculpa de que estava havendo uma aula super importante, fugi mais uma vez. Tudo que eu precisava, na verdade, era de um minuto comigo mesma. Ou dois. Ou três. Não importa.  Depois de me olhar no espelho e me questionar sobre o porquê de estar daquele jeito, sentei. O tempo foi embora, não sei quão distante, talvez não daria para alcançar. No fundo eu sei que em relação ao tempo, não dá pra voltar.

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